Mais uma vez a nossa cidade foi sacudida por acontecimento que só pode ampliar o mal estar de muitas pessoas, quando se fala em Rio Branco do Sul, confirmando que por aqui impera a ignorância sobre a tolerância que deveria prevalecer.
Desde a eleição de 2008, quando Adel Ruts confirmou seu amplo favoritismo no pleito, o ambiente político estava pesado. O que prevalecia era a disposição para uma “revanche”, quando forças deveriam ser unidas em prol do progresso que se procura há tantos anos.
Mas, como ocorre também há tantos anos, Adel Ruts, infaustamente assassinado na última segunda-feira, quando poderia ter dado novos rumos à administração local, quem sabe influenciado por alguns de seus “conselheiros”, praticou os mesmos erros e desatinos de administrações passadas: não governou para o município e sim para a incompetente equipe de que se fez acompanhar, de seus precursores e das diretrizes que imperam há várias décadas, sempre em benefício de alguma minoria temporariamente dominante.
Não é porque o destino não quis que ele concluísse seu mandato, que o RX vai contemporizar seus erros primários, ao longo desse ano e pouco em que ostentou o cargo de prefeito. Os seus parcos conhecimentos deveriam ter sido compensados com a contratação de profissionais devidamente habilitados, vividos na vida pública, que lhe poderiam ter dado até algum sucesso. Mas seu secretariado não passou de um “rasgo” de moderno, de novo, de inovador. À exceção de um ou outro, quase todos eram oriundos de outras administrações mal sucedidas, ao longo dos últimos 20 anos. Daí novamente a estagnação, a má aplicação dos recursos públicos, as já superadas e repetidas desculpas de que “pegou a prefeitura endividada”. Isto já é tão ridículo, mas nem o jovem e inexperiente Adel, muito menos os seus subordinados mais graduados, ofereceram algo de inovador em argumentação para justificar o fracasso dos poucos meses em que permaneceram nas funções, sem qualquer perspectiva de melhoria nos três anos que lhe restariam de mandato.
Nem só os auxiliares “locais” foram responsáveis pelo fracasso. De quem deveria ter apoio em termos estaduais, pouco recebeu. Só a reivindicação genérica de projetos sempre futuros e nunca hodiernos, atuais, que pudessem fazer deslanchar as boas intenções de Adel. Envolvido por falsas promessas de todos os lados, Adel só via alguma esperança de sucesso de seus pleitos junto ao governo do Estado e na esfera federal, com a aproximação do ano eleitoral, quando os eternos apegados aos cargos legislativos, conseguem “descolar” algumas parcas obras dessas duas esferas. Nos próximos três anos, tal como prefeitos anteriores, Adel também estaria de pires na mão para as costumeiras “esmolas” para com os pobres municípios da Região Metropolitana de Curitiba e, em especial, os miseráveis do Vale do Ribeira e Região dos Minérios.
Mas, Adel se foi. As esperanças que mais de 13 mil eleitores depositaram nesse jovem, embora já um tanto difusas, se foram de vez, através das balas de um inconseqüente e brutal assassino, guiado ou não, por outra mente doentia e intolerante. De forma alguma se justifica a forma com que lhe tiraram a vida, pois esta só a Deus pertence. Quem sabe esse mesmo Deus tenha-lhe evitado os dissabores de um político fracassado, ao final de um mandato inepto e se lhe faça prevalecer a imagem de um jovem vitorioso e promissor, que projetava.
Repercussão:
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u701237.shtml
http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u701048.shtml
http://www1.folha.uol.com.br/folha/cotidiano/ult95u700918.shtml
http://www.fabiocampana.com.br/2010/03/o-desabafo-do-prefeito-adel-rutz/
http://www.fabiocampana.com.br/2010/03/prefeito-de-rio-branco-do-sul-e-assassinado/
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