
Projeto Histórias à Brasileira visa incentivar a leitura infanto-juvenil

Ler não é um hábito comum para a maioria dos brasileiros. Um levantamento da Unesco com 52 países mostra que o Brasil tem um dos piores índices de leitura e compreensão de textos ocupando a 47ª colocação. A falta de incentivo a leitura é um dos fatores desta condição. O projeto Histórias à Brasileira da Associação Malasartes realizado por Vinícius Mazzon e Michelle Peixoto tem como objetivo contribuir para a melhoria destes índices.
Imagine crianças em torno de um narrador que conta histórias com recursos de dramatização, entrelaçadas com recitação de adivinhas, trava-línguas e outras brincadeiras populares. No repertório contos da tradição oral brasileira. A proximidade corporal e afetiva estimula a participação e a criação coletiva. Este foi o cenário criado nas escolas da rede pública municipal de Rio Branco do Sul, Itaperuçu e Cerro Azul, municípios da Região do Vale do Ribeira (PR), a partir da prática milenar de contar histórias. No total foram 74 sessões de contação de histórias gratuitas que atingiram cerca de 3.600 alunos do ensino fundamental (1º ao 9º ano), com idade entre 6 e 12 anos, além de oficinas voltadas para os educadores.

A ação, patrocinada pelos Correios, foi desenvolvida de agosto a novembro deste ano. O projeto Histórias à Brasileira fundamenta-se nas relações existentes entre oralidade e literatura, leitura e cidadania. O principal objetivo é incentivar a leitura de livros, promovendo a difusão da produção literária brasileira, a partir da valorização da literatura oral. Os contos escolhidos para o repertório contemplam exemplares de matriz indígena, africana e européia, levando em conta a faixa etária do público. Destacam-se entre os selecionados grandes autores como: Ana Maria Machado, Figueiredo Pimentel, Ricardo Azevedo, Monteiro Lobato e Câmara Cascudo. Ao final de cada sessão de contação de histórias, cuja duração era de 60 minutos, eram apresentados livros que trazem publicados recontos das histórias narradas, e também outras sugestões de leitura que contemplam o universo da literatura oral. A idéia é que o público sinta-se instigado a dar seqüência a esta experiência através da leitura. “Este maravilhoso e riquíssimo repertório do folclore e da oralidade popular é uma porta de entrada privilegiada para o universo da literatura escrita”, declara Vinícius Mazzon, responsável pelo projeto.

As três cidades escolhidas para acolher esta iniciativa fazem parte dos Territórios da Cidadania, programa do governo federal que identifica regiões de baixo IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) e realiza ações que promovam cidadania e melhoria das condições sociais. Como forma de garantir sua viabilização o projeto conta com a parceria das Secretarias de Educação e Cultura dos municípios envolvidos.
Histórias à Brasileira atinge tanto crianças quanto professores oferecendo também oficinas literárias voltadas aos educadores. De acordo com Mazzon os professores reconhecem a importância da leitura e querem trabalhar para isso, mas, muitas vezes, não sabem como. O objetivo das oficinas é aproximar os educadores da produção literária infanto-juvenil e ajudá-los a planejar ações de incentivo à leitura em suas escolas. O projeto contemplou uma oficina em cada município totalizando aproximadamente 250 educadores beneficiados.
“Não há como dimensionar os frutos e desdobramentos desta ação. Este projeto nos permite semear, despertando alegria nas crianças e entusiasmo nos professores. A oralidade em nosso país é muito rica e exuberante e, em cada região se expressa de forma muito própria. Nosso folclore é um patrimônio cultural e deve chegar até as crianças brasileiras, suas legítimas herdeiras. Exaltar o repertório popular e a prática milenar de contar histórias é uma maneira efetiva de valorizar a identidade local”, destaca Mazzon.